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Cheias no Nepal e Tibete fazem 676 mortos e quase 3.000 desaparecidos

29 de August de 2026 9 leituras
Cheias no Nepal e Tibete fazem 676 mortos e quase 3.000 desaparecidos

Nepal – O balanço das cheias que devastaram a fronteira entre o Nepal e o Tibete subiu este sábado, 29 de Agosto, para pelo menos 676 mortos. As autoridades nepalesas contabilizam 669 vítimas mortais e 2.362 desaparecidos, enquanto no Tibete foram confirmados sete mortos e 554 desaparecidos. As buscas prosseguem em condições difíceis e três cidadãos portugueses continuam por localizar.

Publicado a: 29/08/2026 - 18:20

O número de vítimas das violentas cheias que atingiram, na quarta-feira, 26 de Agosto, várias zonas do Nepal e do Tibete voltou a aumentar este sábado. Ao final da tarde, a polícia nepalesa dava conta de 669 corpos recuperados, mais 43 do que no balanço divulgado durante a manhã. Somadas as sete mortes confirmadas pelas autoridades chinesas, a catástrofe provocou pelo menos 676 mortos nos dois lados da fronteira.

O número de desaparecidos continua muito elevado. No Nepal, 2.362 pessoas permanecem por localizar, segundo o balanço da polícia às 16h00 locais, entre as quais cerca de 500 cidadãos estrangeiros. No Tibete, as autoridades contabilizam outros 554 desaparecidos, o que aproxima de 3.000 o total de pessoas ainda sem paradeiro conhecido em toda a região atingida.

As equipas de busca chegaram, entretanto, a zonas que permaneceram inacessíveis nos primeiros dias. A Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Desastres do Nepal indica que 4.451 pessoas já foram resgatadas, enquanto cerca de 1.000 desalojados permanecem instalados em nove centros de acolhimento no distrito de Nuwakot.

As operações continuam, contudo, condicionadas pela dimensão da destruição, pelo relevo montanhoso e pela instabilidade das encostas. O mau tempo chegou a obrigar à suspensão dos voos de helicópteros e o risco de novas cheias levou as autoridades a interromper temporariamente algumas buscas. Os trabalhos foram retomados depois de uma massa de água acumulada junto à fronteira ter começado a escoar, reduzindo o perigo imediato de uma nova descarga súbita.

Um dos pontos de maior preocupação continua a ser a central hidroeléctrica Upper Trishuli-1, onde mais de uma centena de pessoas estão presas num túnel. As equipas especializadas procuram chegar ao local, numa altura em que o Nepal pediu apoio técnico internacional para operações de salvamento em túneis, identificação de corpos e recuperação de infra-estruturas destruídas.

A catástrofe foi desencadeada por um colapso glaciar e uma avalanche de gelo e rochas na região dos Himalaias, que lançou enormes quantidades de água, lama e detritos através dos sistemas fluviais do Bhote Koshi e do Trishuli. A força das torrentes destruiu localidades, pontes, estradas e projectos hidroeléctricos e deixou várias comunidades isoladas.

A identificação das vítimas tornou-se um dos grandes desafios. Algumas morgues estão sobrelotadas e, devido ao estado de decomposição de vários corpos, as autoridades começaram a recolher amostras de ADN antes de proceder a enterros temporários por razões sanitárias. Há relatos de vítimas arrastadas pelas águas durante dezenas de quilómetros, algumas encontradas já em território indiano.

A ajuda internacional está a chegar ao Nepal, com a Índia e a China a fornecerem especialistas e equipamento, e outros países a mobilizarem assistência. Catmandu estima que a reconstrução das áreas devastadas poderá exigir entre quatro e cinco mil milhões de dólares, num balanço ainda preliminar de uma catástrofe cuja verdadeira dimensão só deverá ser conhecida à medida que as equipas conseguirem alcançar todas as zonas afectadas.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.rfi.fr.

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